Assim como a divisão, a fração está presente em nosso cotidiano em diferentes situações: ao realizar uma receita, ao dividir uma massinha, cortar um bolo, distribuir as peças de um jogo, dentre tantos exemplos.
A forma como isso é introduzido na escola faz toda a diferença na construção do conceito e entendimento das frações. Esse trabalho repercute nas relações que o aluno estabelece com os conteúdos matemáticos e que ele levará consigo para sua trajetória escolar e pessoal.
Ao pensar em fração, vem à nossa mente a ideia da divisão de pizza ou da barra de chocolate em partes iguais. No entanto, para começar a pensar em como trabalhar o assunto, necessário ter em mente que, além das quantidades contínuas, temos as descontínuas que também devem ser apresentadas para as crianças.
Quando trabalhamos o conceito de fração trazemos situações em que a relação parte-todo está implícita, como quando dividimos uma pizza em partes iguais. Entretanto, vale lembrar que a fração como relação parte-todo implica que a divisão seja sempre em partes iguais. Essa divisão pode se referir a quantidades de objetos idênticos que podem ser contados, agrupados ou distribuídos (quantidades descontínuas ou discretas). A divisão também ser representada por uma figura dividida em partes do mesmo tamanho (quantidades contínuas). Dessa forma, ambos os tipos precisam ser trabalhados ao longo dos Anos Iniciais.
De acordo com os documentos oficiais, a ideia de fração deve começar a ser abordada no 1º ano do Ensino Fundamental, segundo a Política Nacional de Alfabetização (PNA). Ela propõe que a primeira ideia trabalhada é a noção de metade. A Base Nacional Comum Curricular, por sua vez, propõe que seja trabalhada no 2º ano e aprofundada de forma gradual a cada ano.
Confira habilidades previstas da BNCC referentes as frações
(EF02MA08) Resolver e elaborar problemas envolvendo dobro, metade, triplo e terça parte, com o suporte de imagens ou material manipulável, utilizando estratégias pessoais.
(EF03MA09) Associar o quociente de uma divisão com resto zero de um número natural por 2, 3, 4, 5 e 10 às ideias de metade, terça, quarta, quinta e décima partes.
(EF04MA09) Reconhecer as frações unitárias mais usuais (1/2, 1/3, 1/4, 1/5, 1/10 e 1/100) como unidades de medida menores do que uma unidade, utilizando a reta numérica como recurso.
(EF05MA03) Identificar e representar frações (menores e maiores que a unidade), associando-as ao resultado de uma divisão ou à ideia de parte de um todo, utilizando a reta numérica como recurso.
(EF05MA04) Identificar frações equivalentes.
(EF05MA05) Comparar e ordenar números racionais positivos (representações fracionárias e decimal), relacionando-os a pontos na reta numérica.
Existem muitas situações, desde a Educação Infantil, que podem ser utilizadas para construir o conceito de fração. Por exemplo, distribuir em partes iguais uma quantidade de peças ou de brinquedos (quantidades descontínuas) ou mesmo a massinha (quantidade contínua). Repartir entre dois, três ou quatro amigos é uma possibilidade de estudar as noções de metade, um terço, um quarto.
Nesse momento de primeiros contatos não é necessário utilizar a palavra “fração” ou nomear os seus termos. Permita que os alunos percebam a divisão do todo (seja contínuo ou não) em partes iguais.
Existem materiais manipuláveis que podem ser utilizados para trabalhar de forma lúdica e significativa o conceito. Temos o disco, o mosaico e as tiras de frações como possibilidades para que a turma use e possa ir construindo as ideias por trás. No seu planejamento, professor, não esqueça de prever os materiais e intervenções que fará para avançar nas aprendizagens.
REVISTA NOVA ESCOLA
https://novaescola.org.br/conteudo/20733/alfabetizacao-matematica-como-comecar-a-trabalhar-as-fracoes
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